Entenda melhor

A espécie Khaya senegalensis tem despertado interesse de inúmeros investidores que vislumbram em seu cultivo a obtenção de madeira decorativa para usos em movelaria fina.

A rentabilidade dos projetos que, embora de médio/longo prazo, apresenta-se extremamente favoráveis sob os aspectos financeiros a eles intrínsecos.

O que torna a espécie promissora são as características silviculturais, resistência a pragas e doenças. Tais aspectos são pouco compreendidos em razão da diminuta produção de trabalhos técnico-científicos em nosso país.

Projetos com a referida espécie superaram diversas outras, inclusive pertencentes ao gênero Eucalyptus, em termos de sobrevivência e desenvolvimento na região tropical seca.

Diante do quadro atual de escassez de informações, alguns elementos relevantes podem ser obtidos na literatura internacional para melhor compreensão das características da espécie.

Assim, procurou-se realizar uma ampla revisão bibliográfica para apresentar informações acerca das características silviculturais e da madeira da espécie.

Saliente-se, ademais, que as condições edafoclimáticas brasileiras são mais favoráveis ao desenvolvimento da espécie, proporcionando, seguramente, desenvolvimento mais elevado quando comparado ao relatado nos estudos aqui utilizados.

Foram analisados dados coletados em inventários florestais, em plantios mistos e puros, com diferentes taxas de sobrevivência, sob diferentes níveis de espaçamento, tratos culturais, manejo, idades dos povoamentos e regime pluviométrico.

1.   Arranjos espaciais

  • Plantio consorciado – 12% a 63% Khaya senegalensis
  • Plantio puro – 100% Khaya senegalensis

2.   Composição dos arranjos

  • Densidade total de plantio –44 a 1764 árvores/hectare;
  • Densidade plantios puros –44 a 1111 árvores/hectare (Khaya senegalensis);
  • Densidade plantios mistos –146 a 1111 árvores/hectare (Khaya senegalensis).

3. Tratos culturais e manejo silvicultural  

Em geral os sites não receberam tratos culturais e manejo adequados ao pleno desenvolvimento da espécie.

Os autores, baseando-se em resultados observados em plantios comerciais e experimentais, são unânimes em recomendar manejo e tratos silviculturais intensivos (controle de invasoras, fertilização e desramas até a altura máxima possível). A irrigação também é recomendada.

  • Tratos culturais – ausência ou diferentes níveis de adubação, irrigação e controle de invasoras;
  • Manejo silvicultural – ausência de desbaste e diferentes intensidades de desrama.

4.   Idades dos povoamentos avaliados

  • 2,3 a 32 anos

5.   Regime de chuvas

  • 840 a 1222 mm/ano (média 979 mm/ano)

CARACTERÍSTICAS SILVICULTURAIS

1. Sobrevivência 

Os sites receberam irrigação inicial ou de salvamento quando implantados durante o período de estiagem até o estabelecimento. Em apenas um suplementou-se até o 3º ano (sobrevivência avaliada aos 11,5 anos). 

  • 2,3 a 4,5 anos – 83 a 100%
  • 4,5 a 6,6 anos – 83 a 100%
  • 6,6 a 9,0 anos – 95 a 100%
  • 9,0 a 12,00 anos –95 a 100%
  • 12,0 a 14,0 anos –95 a 100%
  • 14,0 a 18,0 anos – 100%
  • 18,0 a 20,0 anos – 100%

2.   Diâmetro à altura do peito (DAP 1,30 m)

O diâmetro à altura do peito variou em função da idade, densidade de plantio, tratos culturais e manejo, com destaque para a idade de 15,1 anos com 66,7 cm (densidade de plantio 44 árvores/hectare).

Os autores relataram desenvolvimentos mais acentuados, observando árvores com 76,3 cm aos 15 anos de idade em alguns parks.

Os arranjos espaciais que se mostraram mais adequados foram aqueles com densidades de 800/1000 árvores por hectare, com IMA DAP (cm/ano) variando entre 2,14 cm a 2,74 cm para idades entre 8,0 e 9,0 anos, respectivamente (não houve desbaste).

De maneira geral, nos arranjos mais adensados, o incremento em diâmetro evoluiu gradativamente até o 8º/9º anos, mantendo-se constante.

A partir do 10º/11º anos todos os arranjos espaciais com alta densidade de indivíduos por hectare apresentaram IMA DAP em cm/ano decrescentes, sugerindo haver necessidade de intervenções por meio de desbastes a fim de reduzir a competição e favorecer o incremento em diâmetro.

Em média para o período de 20 anos o DAP oscilou entre 2,24 a 2,56 cm (média 20 anos 2,41 cm) com sites apresentando em determinados períodos mínimo de 1,58 cm e máximo de 2,85 cm.

3. Altura total

Em geral as variações nos arranjos espaciais adensados não exerceram influencia significativa na altura total das árvores, sendo certo que os maiores incrementos acorreram até o 11º ano (13,60 m). Destaque apenas para a idade de 15,1 anos com 21,00 m de altura total (densidade de plantio 44 árvores/hectare).

A partir do 11º ano o IMA em altura passou a evoluir de forma decrescente.

4. Fuste comercial 

A altura do fuste comercial, em muitos sites, foi prejudicada pela ausência ou pouca intervenção (desrama) e tratos silviculturais.

Nos sites onde a técnica de desrama foi empregada o fuste comercial apresentou dimensões maiores, variando de 5,63 a 6,00 metros (médias) aos 6,6 e 8,0 anos, respectivamente.

As técnicas de desrama, controle de invasoras e fertilização exerceram influencia positiva nas características e dimensões do fuste comercial, com destaque para o site com altura total de 8,30 metros e 4,5 m de fuste comercial aos 4,5 anos.

5. Madeira serrada e densidade

Estudos visando avaliar o aproveitamento comercial de toras extraídas de povoamentos com idades variando entre 14 e 32 anos, concluíram:

  • Diâmetro médio das toras 24,65 cm; comprimento variando entre 2,90 a 3,00 metros– aproveitamento médio madeira serrada 42%, mínimo 20%, máximo 61%;
  • Diâmetro médio das toras 31,75 cm; comprimento variando entre 3,00 a 3,60 metros – aproveitamento médio madeira serrada 49,5%, mínimo 13%, máximo 69%;
  • Diâmetro médio das toras 34,17 cm; comprimento variando entre 2,3 a 5,3 metros – aproveitamento médio madeira serrada 39,5%, mínimo 25,3%, máximo 68,2%.

Tais resultados foram obtidos de toras extraidas de sites que não receberam desrama e desbaste, com mínimo manejo e tratos silviculturais.

Densidade da madeira de 18/20 anos: média 658 kg/m3, mínima 603 kg/m3 e máxima 712 kg/m3.

6. Aspectos produtivos

Os sites apresentaram diferentes níveis de produtividade em razão das diferentes idades dos povoamentos e manejo silvicultural.

Aos 11,5 anos, um site com 1000 árvores apresentou Volume total de 192 m3 de madeira em tora, com IMA Vol na ordem de 16,7 m3/ano (regime de chuvas 840 mm/ano, desrama superior a 4,5 m).

O site que mais se destacou possuía 833 árvores/ha e apresentou aos 9,0 anos Vol total de madeira em tora de 187,7 m3 com IMA Vol de 20,9 m3.

7.   Produtividade esperada para o Brasil

Todos os dados foram obtidos de sites estabelecidos em regiões tropicais secas com diferentes características de solo, estação seca prolongada (7/9 meses), baixa pluviosidade e regime de chuvas irregular (50% da média superior a referida pluviosidade).

De maneira geral os plantios estudados receberam pouco manejo e tratos silviculturais e, em sua totalidade, não foram desbastados.

Para as condições brasileiras espera-se desenvolvimento mais satisfatório.

Conclusão

Os autores são unânimes ao concluírem que a espécie é promissora para o estabelecimento de maciços florestais comerciais em razão das características silviculturais, adaptabilidade a diferentes tipos de solo e resistência a pragas e doenças (não há relatos), superando diversas outras nas condições dos sites estudados, bem como da necessidade de manejo e tratos silviculturais intensivos para a obtenção de boa produtividade.