Características Mogno africano

Gênero – Khaya

Espécie – Khaya senegalensis

Origem: Africa tropical e zonas secas, estendendo-se do Oceano Atlantico até o Oceano Indico (CAB International, 2000). Países de ocorrencia: Chad, Sudan, Uganda, Central African Republic, Benin, Costa Ivorence, Gambia, Guinea, Guinea-Bissau, Mali, Niger, Nigeria, Senegal, Sierra Leone e Togo (USDA-NRCS, 2004).

O gênero Khaya comporta várias espécies, sendo que, atualmente, sob o aspécto comercial, os plantios são estabelecidos com as espécies k. senegalensis, K. ivorensis, K. anthotheca (syn. K. nyasica), K. grandifolia, cujas características das madeiras variam em cor e densidade (ITTO, 1986).

No entanto, a espécie adotada nos maiores empreendimentos é a senegalensis, em razão de sua resistência ao ataque da praga Hypsipyla grandella e tolerância a fatores ambienteais adversos. Todas as espécies são atacadas por Hypsipyla robusta, que não ocorre no Brasil.

A tolerância a fatores ambientais adversos coloca a espécie como promissora para a implantação de maciços florestais em todo o território brasileiro com exceção de algumas localidades, sem necessidade de irrigação e em regiões com precipitação acima de 650 mm/ano, superando diversas outras espécies em termos de sobrevivência e desenvolvimento.

Trata-se da espécie de Mogno africano com maior sobrevivência em campo, conforme apontam trabalhos técnicos, indicando sobrevivência de 90/100% em regiões com precipitação em torno de 900 mm/ano.

Não há relatos de pragas e doenças causando danos econômicos nos plantios comerciais no Brasil.

A tolerância a fatores ambientais adversos e a ampla adaptação da espécie não exclui a necessidade de um programa nutricional eficiente, correção do solo e práticas de manejo adequadas. Tratam-se de práticas silviculturais necessárias ao bom desenvolvimento de qualquer espécie florestal de interesse comercial.

O mercado internacional adotou a denominação Mogno Africano para as madeiras das espécies pertencentes ao gênero Khaya, que assumiram relevante papel no seu abastecimento após o declínio da oferta de mogno americano “American mahogany” (Swietenia macrophylla) (Traffic, 2000).

Principais características: resistência cientificamente comprovada à broca dos ponteiros Hypsipyla grandella, elevado valor da madeira, ampla adaptação, demanda crescente pela madeira e escassez de oferta, mercado consumidor USA e países em desenvolvimento.

  • Altura – grande porte, podendo alcançar 35 m de altura e 1½ m de diâmetro (CAB International, 2000; Jøker and Gaméné, 2003)
  • Fuste – retilíneo sem bifurcações até 10/16 m (em estado natural).
  • Copa – pouco densa a densa 

Características da madeira: Muito decorativa, marrom avermelhada. Características físicas e mecânicas excelentes (Cirad-Foret, 2003), muito durável e muito resistente a água (Alwyn Jay, 1972).

Densidade – 600 a 800 kg/m3

Usos – movelaria de qualidade, interiores, interiores e decks de barcos, cosméticos, medicamentos, sombra, ornamental, combustível, sistemas agroflorestais, construções (CAB International, 2000; Robertson, 2002; Jøker and Gaméné, 2003).

Aspéctos produtivos:

  • 20/30 m3/ha/ano – depende do manejo adotado e das condições de clima e solo, podendo até mesmo ser superior. No Brasil tem apresentado excelente desenvolvimento.
  • Diâmetro comercial das toras (mercado internacional) – acima de 40 cm
  • IMA DAP (diâmetro a altura do peito) – potencial superior a 5,00 cm/ano
  • Ciclo de cortes  depende do manejo adotado, tratos culturais e da necessidade em obter receitas – após 10 anos, podendo estender para 12/15/20 anos
  • Irrigação – Não há necessidade de irrigar. Um bom programa nutricional e/ou irrigação, promove ganhos adicionais expressivos, elevando consideravelmente a produtividade acima em razão da melhora da forma de fuste, comprimento e diâmetros das toras.